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Vender em segunda mão em Portugal: que preço pedir e quanto lhe sobra no fim

Um método para fixar o preço sem adivinhar, a subtração dos custos que quase ninguém faz, e a linha a partir da qual vender deixa de ser arrumar a casa e passa a ser uma atividade.

16/08/2026
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Em resumo

Há uma pilha de coisas paradas em casa e uma pergunta que trava tudo: por quanto é que isto se vende? A dúvida é legítima, porque o mercado de segunda mão português não tem tabela e porque metade dos anúncios que vê estão mal cotados — uns pedem demais e ficam meses parados, outros pedem de menos e

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Há uma pilha de coisas paradas em casa e uma pergunta que trava tudo: por quanto é que isto se vende? A dúvida é legítima, porque o mercado de segunda mão português não tem tabela e porque metade dos anúncios que vê estão mal cotados — uns pedem demais e ficam meses parados, outros pedem de menos e vendem numa hora, o que dá ao vendedor a falsa sensação de ter acertado.

Este artigo trata das duas contas que decidem o resultado. A primeira é o preço a pedir, que se constrói a partir de uma referência verificável em vez de uma intuição. A segunda é a que quase ninguém faz: quanto sobra depois de descontar o que a venda custou. Em artigos de valor baixo, a segunda conta transforma frequentemente um lucro aparente num prejuízo real.

E há uma terceira conta, mais difícil de ver: a casa acaba por ficar arrumada. Ter em paralelo algo que não dependa do stock — na I am Beezy, ver conteúdos é remunerado — evita o vazio do quarto mês.

Que preço pedir, sem adivinhar?

O preço de um artigo usado não se inventa nem se copia do anúncio do vizinho. Constrói-se em dois movimentos: uma âncora e um desconto.

A âncora é o preço do novo, hoje

Não é o preço que pagou. É quanto custa hoje comprar o mesmo artigo, ou o seu sucessor direto, em estado novo. Um comparador de preços como o KuantoKusta serve exatamente para isso, e as cadeias nacionais de eletrónica dão-lhe uma segunda leitura. Um artigo comprado há três anos por 300 € cujo modelo equivalente custa hoje 150 € não vale metade dos 300 €: vale uma fração dos 150 €. Quem ancora no preço de compra pede sempre demais e não percebe porquê.

O desconto é o estado, a procura e a pressa

Sobre a âncora aplicam-se três descontos sucessivos. O estado, que inclui a existência de caixa, acessórios e fatura. A procura, que se mede em minutos: pesquise o mesmo artigo nos anúncios ativos e conte quantos existem e há quanto tempo estão publicados. E a sua própria pressa, que é o desconto mais caro de todos — se precisa do dinheiro esta semana, vai vender abaixo do que valia, e mais vale saber disso antes de publicar do que descobri-lo ao terceiro dia.

O anúncio vale tanto como o preço

Dois anúncios com o mesmo preço não vendem ao mesmo ritmo. Fotografe com luz natural, contra um fundo liso, e inclua uma imagem do defeito — sim, do defeito: é o que corta as mensagens de regateio e as devoluções. Escreva a marca e o modelo exatos no título, porque é assim que as pessoas pesquisam, e indique no texto o ano de compra, o que está incluído e o motivo da venda. Um anúncio honesto e completo vende mais caro do que um anúncio vago com desconto, e vende sobretudo mais depressa.

Estudante a fotografar artigos usados para anúncio online numa mesa junto à janela, Portugal, 2026

O que sobra depois dos custos

Esta é a conta que separa vender de dar. Faça-a antes de publicar o anúncio, não depois de combinar a entrega.

Deslocação: o custo que engole os artigos baratos

Entregar em mão parece gratuito e não é. Em Lisboa, um bilhete Carris e Metro custa 1,90 € e uma viagem em Zapping 1,72 €, valores em vigor desde 1 de janeiro de 2026; no Porto, um bilhete ocasional Z3 custa 1,85 €. Ida e volta para entregar um artigo consome portanto perto de quatro euros, sem contar o tempo. O quadro abaixo mostra a percentagem do preço que essa única deslocação consome, e explica por que razão os artigos de valor baixo se devem agrupar numa só entrega ou vender por envio.

Preço pedidoCusto de uma ida e volta em LisboaPercentagem do preço consumida
5,00 €3,44 €69 %
10,00 €3,44 €34 %
20,00 €3,44 €17 %
40,00 €3,44 €9 %
80,00 €3,44 €4 %

O cálculo usa duas viagens em Zapping a 1,72 €. Se usar bilhete avulso a 1,90 €, o custo sobe para 3,80 € e as percentagens agravam-se.

Comissão, envio e embalagem

Às plataformas com envio acresce uma comissão e o custo de expedição, que variam consoante o serviço e o peso: consulte a grelha antes de anunciar, porque é ela que define o preço mínimo abaixo do qual não vale a pena publicar. Some ainda a embalagem, que raramente é zero, e conte o tempo de fotografar, escrever e responder a mensagens. Não é para desanimar: é para agrupar. Cinco artigos de dez euros vendidos na mesma deslocação dão um resultado completamente diferente dos mesmos cinco artigos vendidos em cinco viagens.

Caixas embaladas prontas para envio junto à porta de casa, Portugal, 2026

A partir de quando isto passa a ser uma atividade?

É a pergunta que trava muita gente e a resposta é mais tranquilizadora do que se receia — desde que se perceba onde está a fronteira.

Vender o que já era seu

O artigo 10.º n.º 1 do Código do IRS enumera de forma fechada os ganhos que constituem mais-valias, e a lista abrange imóveis, partes sociais e valores mobiliários, propriedade intelectual quando o transmitente não é o titular originário, cessão de posições contratuais, instrumentos financeiros derivados, criptoativos e outras situações delimitadas — e não a alienação de bens móveis de uso pessoal, no texto em vigor após a Lei n.º 26/2026, de 3 de junho. Esvaziar o armário e vender a bicicleta que já não usa não cria, por si, um rendimento tributável dessa categoria.

Comprar para revender muda a natureza da coisa

A partir do momento em que compra com a intenção de revender, deixa de estar a arrumar a casa e passa a exercer uma atividade comercial, que se enquadra na categoria B. Nesse cenário, o artigo 31.º n.º 1 a) do Código do IRS aplica o coeficiente de 0,15 às vendas de mercadorias e produtos, o Código do IVA dispensa do imposto, pelo seu artigo 53.º, quem tenha ficado abaixo de 15 000 € de volume de negócios no ano civil anterior, e o artigo 30.º prevê a figura do ato isolado para quem só o faz uma vez, sempre dispensado de contabilidade organizada quanto a esses atos. A fronteira não é o número de anúncios: é a intenção com que o artigo entrou em sua casa.

Onde a dúvida costuma aparecer

O caso mais frequente é o de quem começa por vender o que era seu, ganha jeito, e passa a aceitar artigos de amigos ou a comprar lotes em feiras para revender por peças. Não há um momento oficial em que alguém o avisa: a mudança é gradual e a responsabilidade de a reconhecer é sua. Um sinal prático que serve de alerta é a existência de um stock que compra sem intenção de usar. Se isso acontecer, trate do enquadramento antes de o volume crescer, e guarde os comprovativos de compra — sem eles, é impossível demonstrar o custo de aquisição mais tarde.

Encaixar os meses vazios com a I am Beezy

Vender o que já não usa tem um limite óbvio: acaba. Ao terceiro mês, a casa está arrumada e a entrada desaparece — e é exatamente aí que muita gente volta a gastar o que ganhou.

Uma entrada que não depende de stock

Aqui não há inventário a esgotar. A I am Beezy credita cada vídeo, artigo ou anúncio que abre, e o total do dia cai no mesmo sítio para onde já recebe o resto. Fala-se de 5 a 15 € diários, dependendo do tempo que lhe der.

Como se combina com as vendas

Bem, porque as duas coisas ocupam momentos diferentes. As vendas dão picos irregulares que dependem do que tem em casa e de quem responde ao anúncio; a consulta de conteúdos dá um fluxo pequeno e previsível, todos os dias. Usar o primeiro para despesas pontuais e o segundo para as correntes é a repartição que evita a sensação de ter vendido tudo e continuar sem folga.

Jovem a consultar conteúdos no telemóvel enquanto espera por um comprador, Porto, Portugal, 2026

Onde vender e como receber

Portugal tem uma repartição bastante clara entre canais, e escolher mal é a causa mais comum de um anúncio que não vende.

Cada canal serve um tipo de artigo

Os anúncios locais como o OLX e o CustoJusto funcionam melhor para móveis, eletrodomésticos, bicicletas e tudo o que é volumoso ou pesado, porque a entrega é em mão e o envio seria proibitivo. As plataformas de vestuário com expedição integrada, como o Vinted, absorvem roupa e calçado, com envio pelos operadores logísticos e pontos de recolha, incluindo a rede dos CTT. A eletrónica vive nos dois mundos: vende-se localmente sem custos, mas alcança mais compradores com envio.

Receber: o que aceitar e o que recusar

Em entrega presencial, numerário ou MB WAY no momento da entrega, com confirmação recebida no seu telemóvel antes de largar o artigo. Nunca envie um artigo contra a promessa de pagamento posterior, e desconfie de quem propõe pagar por referência gerada por terceiros ou pede o seu contacto para «tratar do envio» fora da plataforma. Numa venda entre particulares não existe relação de consumo nem via de reversão: o dinheiro que sai da sua conta por sua própria ordem não volta.

CanalTipo de artigoEntregaPagamento
OLX, CustoJustoMóveis, eletrodomésticos, bicicletasEm mãoNumerário ou MB WAY na entrega
VintedRoupa, calçado, acessóriosEnvio e pontos de recolhaPela plataforma
Anúncio local com envioEletrónica de valor médioTransportadoraAntes da expedição

Por onde começar

Faça uma primeira volta pela casa e separe apenas os artigos acima de vinte euros: são os únicos em que a deslocação não come o resultado, e são os que lhe dão a confiança para tratar do resto depois. Fixe o preço a partir do valor atual do artigo novo, não do que pagou, e agrupe as entregas por zona. Se em algum momento começar a comprar para revender, trate do enquadramento antes de crescer, porque é muito mais simples abrir do que regularizar. E como a casa acaba por ficar arrumada, vale a pena ter em paralelo uma entrada que não depende do que resta nas gavetas: na I am Beezy, o tempo que passa a ver conteúdos é remunerado todos os dias, esteja ou não a vender.

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